
Madeira para escoramento e formas é um dos insumos mais críticos de uma obra de concreto, e um dos que mais acumulam decisões equivocadas de especificação e compra.
O raciocínio mais comum é: “é material temporário, não precisa ser o melhor.” Esse raciocínio está errado.
Escoramento e formas sustentam o concreto no momento em que ele é mais vulnerável, quando ainda está fluido, com pressão hidrostática total sobre as paredes da fôrma. Qualquer falha nesse ponto não é um inconveniente: é uma ruptura de concretagem.
Este texto descreve os erros mais comuns na especificação e no uso de madeira para escoramento e formas e o que acontece quando cada um deles ocorre na obra.
Erro 1: Comprar madeira para escoramento sem especificar resistência mínima
O erro começa antes da compra. Quando o pedido é feito apenas com bitola e quantidade, sem especificar espécie ou resistência mínima, o fornecedor entrega o que tem disponível. E “o que tem disponível” pode ser uma espécie de baixa densidade que não aguenta a carga da concretagem.
Para madeira para escoras verticais, os pontaletes que sustentam a fôrma de laje, a resistência à compressão paralela às fibras é o critério determinante.
Espécies como Angelim, Jatobá, Guajará, Mandioqueira e Eucalipto com bom dimensionamento atendem esse critério. Espécies de reflorestamento sem seleção técnica podem não atender.
O resultado de um pontalete subdimensionado não é uma deformação gradual que alerta a equipe: é ruptura brusca, queda de fôrma e, no pior caso, colapso parcial da laje em concretagem.
Erro 2: Reutilizar madeira de escoramento sem inspeção
Madeira de escoramento é reutilizada em obra, isso é prática normal e economicamente justificável. O problema é reutilizar sem inspeção.
A cada ciclo de uso, a madeira sofre:
- Pressão da concretagem;
- Impacto do vibrador;
- Umidade do cimento;
- Variações de carga durante o período de cura.
Esses esforços acumulados criam microfissuras que não são visíveis a olho nu mas que comprometem a resistência da peça.
O protocolo correto é inspecionar cada peça antes de recolocar em uso, verificando fissuras visíveis, defeitos nas extremidades, sinais de deterioração e deformação permanente.
Peça com qualquer um desses problemas sai do uso de escoramento, mesmo que pareça “boa” a distância.
Erro 3: Usar madeirite cola branca em fôrma exposta à umidade
Madeirite resinado e madeirite plastificado com cola fenólica são as opções corretas para fôrma de concreto. Compensado comum, o tipo para uso interno, não tem a mesma resistência à umidade e não suporta bem o contato com a pasta de cimento.
O que acontece na prática quando o tipo errado é usado: o compensado absorve água do concreto fresco, incha, deforma e cola na face do concreto na desforma. O resultado é superfície irregular, dificuldade de desforma e consumo de material para retrabalho.
A distinção é simples: compensado resinado tem película de resina nas faces e é identificado pelo acabamento liso e pela coloração geralmente rosa. Compensado plastificado tem filme plástico preto e permite mais usos sem perda de qualidade. Para fôrma de concreto, os dois funcionam. Compensado comum não.
Então o ideal é quando for concretagem, solicitar ao fornecedor sempre madeirite com cola fenólica.
Erro 4: Não calcular a pressão do concreto fresco sobre a fôrma
Concreto fresco exerce pressão hidrostática sobre as paredes da fôrma e essa pressão aumenta com a altura da concretagem e com a velocidade de lançamento.
Uma parede de 3 metros concretada rapidamente gera pressão muito maior do que o lançamento feito por camadas com tempo de repouso.
Madeira para escoramento lateral de parede, as escoras e travamentos horizontais, precisa ser dimensionada para essa pressão. Quando isso não é calculado, a fôrma abre durante a concretagem: concreto vaza, a geometria da peça é comprometida e o retrabalho é certo.
Erro 5: Remover o escoramento antes do prazo de cura
Madeira para escoras de laje cumpre sua função até que o concreto atinja resistência suficiente para se autossustentar.
Esse prazo depende do traço do concreto, da temperatura ambiente e das condições de cura, mas em condições normais, para escoramento de lajes planas, o prazo mínimo com cura adequada é de 14 dias, podendo chegar a 28 dias para peças protendidas ou com grandes vãos.
A pressão de prazo de obra leva à remoção precoce do escoramento. O concreto que ainda não atingiu sua resistência de projeto pode fissuras, fletir ou, em casos extremos, colapsar.
Como especificar corretamente a madeira para escoramento
A especificação correta começa com as perguntas certas: qual é a carga estimada por pontalete? Qual é a altura do escoramento? Quantos ciclos de reuso são esperados?
A resposta a essas perguntas define a espécie, a bitola e o volume necessário, não o contrário.
Na Moxotó Madeiras, atendemos construtoras com especificação técnica de madeira para escoramento e formas, com orientação antes do pedido e estoque das principais espécies e compensados.
O objetivo é que a decisão de compra seja tomada antes da obra começar, não no momento em que o concreto já está sendo lançado.


